Alberto Salino - MTb 13.016
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Opinião do Gentil
Seguradora Líder no seu devido lugar
10 de novembro de 2015
De lado o debate sobre a desmonopolização do DPVAT – ou melhor, enquanto o monopólio não é revogado – é de fundamental importância, digamos, estabelecer uma etapa transitória, para tirar o seguro obrigatório do trânsito da situação vexatória que a gestão da Seguradora Líder o colocou. Se é que se pode chamar de gestão, pois de uns tempos para cá ela nos meteu em uma situação de congestão aguda, provocada por fatos degradantes que não dão trégua e pela tomada de sucessivas ações desacertadas.
Veja bem, a lista de malversações na Líder é longa: fraudes que pipocam sem fim Brasil afora, ações judiciais que também não param de crescer Brasil afora (são cerca de 300 mil), inadimplência nas alturas, contratações irregulares de terceirizados, centralização de processos administrativos de sinistros para partilha favorável aos grandes grupos, tentativa de alijamento do corretor de seguros como canal de atendimento ao segurado e indenizações em valores que estão próximos de virarem pó. Ufa!
Mas isso não é tudo. Ou por quase tudo isso, os atravessadores avançam achacando as vítimas do trânsito, ou seus familiares, quando não ficam à mercê de agências dos Correios que não orientam e só aumentam a tormenta das pessoas, geralmente de origem humilde, que têm dificuldades para preencher formulários e obterem documentos, distanciando-as – e muito – do acesso ao direito à indenização.
Mas isso ainda não é tudo. Ou por quase tudo aquilo, a Líder é alvo, pela primeira vez, de uma fiscalização especial do governo (leia-se Susep) e de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, tendo diretores do quadro da seguradora sob suspeita de participarem de organização criminosa.
E por que tudo isso está acontecendo? Ora, porque o DPVAT está acomodado em um modelo ultrapassado, desenhado quando o País vivia em regime autoritário, na ditadura militar. A Líder atual é fruto daquele estado de exceção e teima em continuar... mesmo podre. É modelo que precisa ser repensado, compromissado com a mudança. E a mudança passa pela seguinte premissa: o DPVAT tem de estar em mãos das seguradoras acionistas.
A Líder não pode continuar com o poder de mando no DPVAT como tem hoje. A ela cabe desempenhar o papel de administradora, transformada em uma central de serviços para as seguradoras acionistas e consorciadas – nada mais. É preciso dar um ponto final à Líder e às suas medidas descabidas, que nada consertam. Ao contrário, só tendem a agravar o quadro, digamos, já mórbido. A hora é de avanços e a atual estrutura do DPVAT choca-se com a urgente necessidade de um acerto de contas com a realidade e a modernidade.
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