Alberto Salino - MTb 13.016
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‘Enquanto todos perdem, atravessadores avançam’
24 de novembro de 2015
Em vez de ao menos dificultar a vida dos atravessadores, a Seguradora Líder parece mais inclinada em ampliar e incentivar, mesmo que indiretamente, o espaço dos intermediários nos processos de sinistros DPVAT, na opinião do sócio-diretor da paulista Rezende & Liefquin Corretora de Seguros, Renato Freire Rezende. É o que só tende a acontecer, segundo ele, caso vingue a medida que pretende restringir a atuação do corretor nesse seguro, proibindo-o de fazer mais de 30 atendimentos por mês às vítimas do trânsito.
Difícil entender a pretensão da Líder em baixar medida nesse sentido, na avaliação de Renato Rezende. Com o corretor desestimulado, sustenta que os prejudicados serão os segurados. “É para eles que temos que olhar”, ressalta, sem deixar de mencionar que os golpes e as fraudes contra o DPVAT também tendem a aumentar, já que são crimes que se materializam, muitas vezes, nessa área de intermediação, valendo-se da inocência dos acidentados, que sequer têm noção do que significa o seguro. “Enquanto todos perdem, os atravessadores avançam”, sentencia.
Ele conta que os intermediários estão praticamente em todas as cidades do País. “Eles, não raro, ficam nas portas ou agem nos hospitais, esperando as vítimas do trânsito. Muitos são até advogados”, relata o corretor da Rezende & Liefquin. “E isso cobrando caro do segurado para resolver a indenização, serviço que o corretor faz gratuitamente”. Para ele, dar entrada no pedido de indenização nos Correios é solução um tanto questionável. “O segurado que vai direto a uma loja dos Correios sai de lá só com dúvidas. Eles (os funcionários) não tiram dúvidas, não são especialistas”, atesta.
Renato Rezende clama, isso sim, é por uma política de incentivo ao corretor de seguros no DPVAT. Com isso, acredita que a Líder conseguiria atrair um contingente de profissionais para operar nos processos administrativos de sinistros, atendendo em todo o Brasil. A remuneração desse trabalho, por exemplo, segundo ele, é item que precisa melhorar. Ele manifesta-se certo de que sem o corretor, que ficará desestimulado pela restrição no atendimento, serão muitos, muitos processos que a Líder não dará conta de acompanhar e analisar, para verificar se está tudo certo e insuspeito. “E isso só retardará o pagamento da indenização às vítimas do trânsito”, prevê.
Ele avalia ainda que se não houvesse o monopólio no DPVAT, esses problemas não aconteceriam. “Não ficaríamos restritos a uma seguradora ditando as regras, sem alternativas, sem possibilidade de escolha”, diz. Para ele, é certo que o fim do monopólio ajudaria bastante a melhorar o sistema desse seguro obrigatório. “No modelo atual, estamos atados”, lamenta Renato Rezende.
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