NAVEGADOR DESATUALIZADO: Você está usando uma versão antiga de navegador. Recomendamos que atualize seu navegador.
Fechar X
  • Gente Seguradora
  • Gente Seguradora
Gente Seguradora
busque o que você procura aqui
Gente Seguradora
Jornalista Responsável:
Alberto Salino - MTb 13.016

Notícias

>

 Opinião do Gentil:
Ao trabalho, a punição

  11 de agosto de 2015

A série de deliberações despropositadas parece não ter fim na Líder, e, ao que parece, tomadas com o intuito de penalizar mesmo quem se dedica a fazer valer a função do DPVAT, viabilizando para as vítimas do trânsito ou beneficiários o acesso à indenização, com uma estrutura montada para realizar esse trabalho. Sim, a obrigação de abrir espaço para o segurado é uma obrigação de todos nós (seguradoras consorciadas), e direito do segurado, no geral gente humilde. Só que a coisa, na prática, não funciona bem desse jeito. Nem todas as companhias se dedicam a assistir o segurado. As que estão nessa condição, a grande maioria, são justamente as que tomam decisão que lhes convêm na Líder.

Assim, mais um obstáculo foi criado por elas – representadas no Conselho de Administração (CA) –, quando resolveram estabelecer novo critério para remunerar o trabalho de recepção administrativa de sinistros e de regulação de sinistros pagos, tanto nas coberturas de morte e invalidez permanente quanto na DAMS. As novas regras, contidas na Circula nº 31 da Líder, instituíram um modelo de faixas de valores. Quem mais trabalha, mais perde, já que o valor do honorário diminui em função da quantidade de processos recepcionados e de sinistros regulados.

Curiosamente, o mesmo Conselho de Administração não incluiu nas novas regras de remuneração os processos judiciais. Cabe a pergunta: Por que não, já que as companhias consorciadas só recebem e digitalizam as ações, enviando-as para o contencioso da Líder? Será por que a maioria desses casos passa pelas mãos das grandes seguradoras? Os dados indicam que sim, já que só as 4 maiores seguradoras do País reúnem quase 61% (mais de 88 mil processos) do total de 145.996 ações judiciais estocadas, excluídas aquelas que as estatísticas atribuem à Líder. Já nos processos administrativos normais, referentes ao primeiro semestre do ano, os 10 maiores grupos só cuidaram das vítimas do trânsito em 3,7% dos casos, em um universo 292.052 sinistros liquidados, sem contar, da mesma forma, a parte imputada à Líder.

Mas, afinal, por que mudar a fórmula de remuneração da recepção e regulação de sinistros? A justificativa é a de que tais custos operacionais alcançaram cifra superior ao lucro apurado pelos consórcios em 2014. Lucro na casa de R$ 169 milhões, contra honorários situados em R$ 263 milhões. Tal quadro é visto pela Líder como sendo “grave distorção”. E a mudança prescrita veio, na opinião da Líder, “no interesse da boa gestão dos recursos advindos do público geridos pelos consórcios”.

Claro que não somos contra o lucro, nem favoráveis ao suicídio. Mas, em nossa avaliação, comparar despesas de regulação de sinistro e lucro, para justificar a medida imposta, demonstra desconhecimento sobre a operação de uma seguradora. Os autores da ideia, provavelmente, não sabem que é o trabalho que gera o lucro. Lucro sem trabalho é próprio de empresas e pessoas que vivem de ganhos fáceis, geralmente provenientes de situações cartoriais, passando por cima dos princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência.

Como vimos acima, as 10 maiores seguradoras do País dedicam sua atenção às vítimas do trânsito em apenas 3,7% dos casos, mas ficam com quase todo o lucro, já que sua distribuição se dá de acordo com tamanho dos ativos de cada consorciada. Para se ter uma ideia, os números da Susep indicam que essas 10 maiores empresas de seguros detêm 78% do patrimônio líquido total do mercado. Não é difícil deduzir para onde vai o lucro e a receita de prêmios do DPVAT que ajuda alavancá-las. A mudança é tudo de bom para elas, que pouco trabalham para o DPVAT.

Assim como não somos contra o lucro, não somos também, a priori, contra à redução de honorários, desde que seja para todos e não crie sistemas de faixas, beneficiando quem não investe, não trabalha e o atravessador, que cada vez mais amplia sua área de atuação em detrimento dos beneficiários e dos corretores de seguros. Estes são parceiros que estão aí até hoje à espera de uma política positiva de incentivo à sua participação no DPVAT.

Diante de tudo que foi exposto, nossa sugestão é que seja suspensa as regras que alteram a remuneração da recepção e regulação de sinistros. E que se promova uma ampla discussão sobre o assunto, de modo a evitar que essa medida prejudique ainda mais o atendimento aos beneficiários, a imagem do seguro DPVAT e da própria Líder.



Comentários


Jenifer01 de setembro de 2015
Limpar

Rita Villano11 de agosto de 2015
Precisamos de uma discussão aberta. Nós que somos a ponta do atendimento não temos acesso a Seguradora Lider para dar o nosso posicionamento a respeito.

Paulo Roberto T. Martins11 de agosto de 2015
Aonde foi que errei ? Este é o tema a ser observado pela Lider DPVAT. No momento de sufoco ela autorizou Seguradoras a se especializarem em processos DPVAT, acordou com pagamentos de honorários, simplesmente para tirar o peso imposto a ela própria que não tjnha condições de liquidar diretamente estes processos, Pois bem, criaram-se seguradoras especializadas e fizeram diversos Corretores Parceiros DPVAT. Será que não tinham previsão de Receita x Despesas. Os acidentes estão ai acontecendo a todo momento, atravessadores estão atentos para fazerem destas vítimas suas Vítimas, apoderando-se de grande parte destas indenizações. Será isto que a LIder não enxerga ? Se ela acabar com pontos estratégicos feitos pela Parceria que ela mesma criou aonde as vítimas irão procurar seus direitos ? Todos nós envolvidos, seja seguradora ou Corretor, a Lider tem obrigação de sentar todos juntos e se discutir o melhor caminho. Não é simplesmente mudar uma regra de forma radical sem escutar os envolvidos e interessados. Todos nós temos responsabilidades junto aos usuários Vítimas de Acidentes cobertos pelo Seguro DPVAT. Não vai ser desta forma fechando as portas que o problema estará resolvido. Nós Parceiros iremos perder esta fatia, mas quem saíra com a maior perda serão a grande maioria de Vítimas que deixarão de ser atendidas por profissionais competentes. Parem e pensem antes que o mau venha a acontecer..

Nilson Daniel Rodrigues11 de agosto de 2015
O rio só corre para o MAR, precisamos de uma politica voltada para os corretores de seguros e não para as seguradoras cada vez mais tem ganhos estraordinarios, o corretor o que ganha nisso?

Rosa Maria S. 11 de agosto de 2015
É lamentável tudo isso que está ocorrendo. A Seguradora Líder levantando a bandeira de que está contribuindo para o combate aos atravessadores está cega e não percebe que muitos postos de trabalhos deixarão de existir e aqueles que pagam seus impostos... é que estão \"pagando\" pela falta de responsabilidade e senso de direção de seus dirigentes, vez que de \"Líder\" só tem o nome.

J\' Zib!11 de agosto de 2015
Meu comentário é geral: O grande erro do Setor de Seguros, está no fato destrutivo, herdado da antiga sede do governo brasileiro, onde, todos os Orgãos Reguladores continuam com suas sedes administrativas em um local embaido !!!!

Mario Waichenberg11 de agosto de 2015
Você é um Guerreiro!
Sua crítica é lúcida e consistente, expondo com clareza, o monopólio que pretendem instituir no Seguro Obrigatório DPVAT, denunciando, com veemência, as manobras de uma minoria, apoiada por gestores da Seguradora Lider, em confronto com os interesses daqueles que, profissionalmente, trabalham pelo cumprimento dos objetivos sociais desse Seguro.
Parabéns pela sua luta!

Deixe seu Comentário

Obs.: Os comentários não representam a opinião do Newsletter. A responsabilidade é do autor da mensagem.