Alberto Salino - MTb 13.016
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Fraude: faltou acompanhamento mais de perto pela Susep
02 de agosto de 2016
“Toda fiscalização é válida, penso que deveriam haver, sim, meios específicos de fazê-la” – diz o especialista em regulação de sinistros da gaúcha Fidúcia Corretora de Seguros, Eric de Carli, referindo-se à possiblidade de a Superintendência de Seguros Privados (Susep) ter falhado no processo fiscalizador no DPVAT, ao não exigir medidas específicas para conter a proliferação de fraudes.
Eric acredita que a ganância de pessoas, hoje vivendo estimuladas pela concorrência e consumismo, está por trás da proliferação das falcatruas que “vitimam” o DPVAT. “As pessoas simplesmente ‘vão na onda’ e se valem de qualquer situação possível para tirar proveito”, afirma.
Ele relata ainda que, trabalhando nesse meio, ouve-se muitas estórias, se são verdadeiras ou não, considera difícil precisar. “Por isso são estórias”, acrescenta. Mas crê que há, sim, muitas fraudes no DPVAT. “Trata-se de um serviço que envolve muitas pessoas, e, por diversas vezes, ficamos à mercê da índole delas, na busca por atendimento, e do interesse daquelas que encaminham os processos”, aponta.
Ao falar sobre o que espera da CPI do DPVAT, instalada na Câmara Federal para apurar fraudes praticadas contra o seguro obrigatório do trânsito, Eric de Carli alimenta esperança: “Penso que o desejo é o mesmo de todos, que os fatos sejam apurados com minúcia e julgados de forma idônea. O básico e fundamental, que as acusações sejam apuradas e os condenados cumpram com seus deveres legais”.
O especialista da Fidúcia Seguros não vê intenção de segregação no reformulado programa Corretor Parceiro, da Seguradora Líder, que rejeita adesão de corretor de seguros pessoa física e exige experiência na corretagem de um ano, entre outros requisitos. “Não [há discriminação]. Talvez, estejam apenas buscando uma melhor qualidade de atendimento (não que um corretor PF não atenda adequadamente), mas exigir experiência é válido”, comenta.
Ainda sobre a relação da Líder com os corretores de seguros, em geral, que estão limitados a realizar apenas 30 cadastros de sinistros DPVAT por mês, Eric prefere não marcar posição. “Verdadeiramente nós [na Fidúcia] remetemos poucos processos, não há uma busca muito grande por estes atendimentos; esta limitação não nos afetou”. Ele, contudo, não sabe dimensionar o impacto da medida, que não se aplica ao Corretor Parceiro, na atuação dos demais corretores de seguros, “por desconhecer como eles trabalham especificamente”. “Mas, pensando apenas em nosso trabalho, poderiam manter tal limite sem afetar nossos serviços”, conclui Eric de Carli.
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