Alberto Salino - MTb 13.016
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Fraude pode ter desviado R$ 1,8 bi por ano, aponta Exame
23 de agosto de 2016
As investigações que culminaram na deflagração da operação Tempo de Despertar, em abril passado, levaram a Polícia Federal e o Ministério Público a suspeitar que as falcatruas perpetradas contra o seguro obrigatório DPVAT no Brasil dão prejuízo estimado próximo a 20% do faturamento anual com os prêmios pagos pelos brasileiros proprietários de veículos. Em 2015, esse faturamento de prêmios ficou perto de R$ 8,7 bilhões. Nessa linha, reportagem da Exame, publicada dias atrás no site Exame.com, citando um inquérito da Polícia Federal (PF), indica que “o esquema, que supostamente contava com a participação de diretores da empresa [Líder Seguradora], pode ter desviado 1,8 bilhão de reais por ano”.
Citando ainda a Polícia Federal, a reportagem revela que “a diretoria da Líder facilitou a ocorrência de fraudes fechando acordos na Justiça mesmo quando já tinha pagado indenização ou quando o próprio juiz dizia que o autor da queixa não tinha direito ao recurso. A investigação também aponta que a mulher de Ricardo Xavier, presidente da Líder, e a de Marcelo Davoli, diretor jurídico, seriam donas de empresas que prestam serviços para a seguradora, o que é proibido pelo estatuto da companhia”.
A PF entregou o inquérito ao Ministério Público, que deverá definir até o fim de agosto se denunciará os diretores à Justiça. “Defendemos a extinção do modelo da Líder”, diz à EXAME o promotor Paulo Márcio da Silva, responsável pelo caso no Ministério Público Federal
Em maio – diz ainda EXAME –, a Susep, órgão que fiscaliza o mercado de seguros, criou uma comissão especial para analisar a atuação da Líder. No mês seguinte, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o assunto. EXAME teve acesso a parte do material de defesa da Líder:
“A seguradora contratou a auditoria PwC para fazer uma investigação própria das fraudes e outra auditoria, a KPMG, para analisar os contratos com fornecedores. A conclusão da KPMG é que não há contratos ou favorecimento de empresas de parentes de diretores da companhia.
A Líder também seguiu as orientações acordadas em um grupo de trabalho formado com o Ministério Público e a Polícia Federal há um ano, com a contratação da auditoria Deloitte para credenciar novas empresas de avaliação médica de acidentados (KPMG, Deloitte e PwC não deram entrevista).
Em nota, a Líder diz refutar as acusações de irregularidades, afirmando que o inquérito não traz provas contra seus diretores. Diz ainda que a empresa fecha acordos na Justiça para reduzir despesas com ações judiciais, em linha com as orientações do Conselho Nacional de Justiça. “A Líder-DPVAT é vítima das fraudes, sendo a maior noticiante desses casos aos órgãos policiais”, diz a nota.
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